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:: O limite entre a transparência e a hipocrisia na blogosfera

Wilson da Costa Bueno*

      A blogosfera está, definitivamente, consolidada e é difícil imaginar profissionais (sobretudo os que atuam na área de comunicação) ou organizações que não estejam participando deste novo mundo ou que não cogitem entrar nele a curto prazo.  Colunistas de prestígio nos grandes veículos brasileiros festejam o fato de serem contemplados com maior audiência nos seus blogs do que nos espaços tradicionais, o que tem provocado, muitas vezes, ciúme nos empresários da comunicação que sempre se imaginaram como os eternos "donos do pedaço".
      Ter vez e voz, fugindo ao monopólio das grandes redes, é certamente o desejo de todos aqueles que anseiam expressar sua opinião, sem o filtro ou a censura promovidos pela mídia , por empresas ou governos, que encaminham o debate segundo os seus interesses (e daqueles que os financiam).
      Por outros motivos ( que pouco têm a ver com a cidadania ou a inclusão social), muitas organizações têm buscado participar deste universo virtual em construção, "postando" blogs para reforçar suas marcas ou para traçar estratégias de influência junto a seus públicos de interesse ou à opinião pública de maneira geral. Mas como nem tudo  funciona perfeitamente, há desvios que merecem ser analisados para que não se instituam como norma.
      Quem não se lembra do blog dos "mochileiros" do gigante Wall Mart, um caso emblemático de falta de transparência e que, inclusive, forçou o pedido de desculpas e adoção de um código de conduta por parte de uma agência internacional de Relações Públicas?  É razoável admitir que organizações de grande porte precisam usar desses artifícios para formar ou "limpar" a sua imagem? Está certo, a imagem do Wall Mart não é lá dos melhores, em particular nos EUA onde enfrenta acirrada oposição de pequenos comerciantes e restrições por parte de funcionários (você pode recuperar facilmente estas "pendengas" no Google!), mas não é um blog mentiroso que irá conseguir alterar esse panorama. Pelo contrário, maus exemplos só reforçam a tese de que há organizações que apelam para qualquer coisa visando "aparecer bem na foto" e que há agências/assessorias dispostas a bancar este processo odioso de manipulação. Você já notou que algumas agências/assessorias estão sempre presentes em processos de limpeza de imagem, imitando os advogados de porta de cadeia que se candidatam (por muito dinheiro, é lógico) para livrar criminosos confessos da cadeia?
      O  chamado "marketing viral" tem se espalhado como uma febre pela rede, recurso nem sempre ético utilizado por empresas que estão mais comprometidas com lucros e (o que é pior) em "fazer " a cabeça de jovens ou mesmo crianças (é bom ficar de olho nas empresas de fast-food, de refrigerantes ou guloseimas sem qualquer valor nutritivo) do que com a verdade, um tal de "vale-tudo" sem sentido que só se justifica para organizações sem escrúpulos e agências de comunicação idem.
      Blogs de maior ou menor audiência têm também utilizado o recurso dos "post pagos" para favorecer grandes ou pequenos interesses, abrindo mão de sua independência em nome de uma pretensa sustentabilidade. Esta situação contraria a proposta legítima dos blogs que, travestidos de espaços à disposição de qualquer negócio ou causa, deixam de contribuir para a multiplicação de vozes , definindo-se apenas como captadores de recursos. Assemelham-se a muitas ONGs que desfilam por aí para atender interesses excusos e que não passam de testa-de-ferro de grupos empresariais. Essas confundem o mercado e a sociedade que acostumaram associar ONGs (as legítimas, é claro) a causas nobres (defesa do meio ambiente, luta pelos direitos humanos e das minorias, contra a violência etc).
      Evidentemente, como o blog é uma iniciativa particular, cada autor pode fazer dele o que bem lhe aprouver, mas é fundamental cobrar transparência, moeda que não é tão comum na blogosfera, particularmente quando associada a determinados segmentos empresariais. O que você esperaria de um blog da indústria tabagista ou da indústria de bebidas? O que seria razoável imaginar para um blog de empresas predadoras do meio ambiente ou das que integram a chamada Big Pharma? Pode apostar:  concentrará o foco no "marketing do pileque ou do tabaco", ou proclamará os "milagres" dos seus produtos (você já tomou seu anti-depressivo ou seu chá emagrecedor hoje?) ou ainda insistirá na sua incompetente e cínica sustentabilidade. Tudo em nome de uma reputação que anda claudicando há muito tempo e que blogueiro nenhum consegue levar até o topo.
      Os blogs têm um papel importante a cumprir no mundo corporativo, mas eles precisam praticar a ética, a transparência, colocar a interação com os seus públicos de interesse acima de intenções mesquinhas e que não condizem com a democracia. Não podem fazer o papel dos hipócritas "café com o presidente" ou de coletivas regadas a vinho e a camarão que tem como objetivo vender ou fabricar falsas notícias.
      Os blogs não deveriam repetir a tediosa hipocrisia  empresarial. Deveriam, isto sim,  se libertar deste discurso enfadonho que povoa os releases adjetivados que chegam às redações, produzidos por assessorias não profissionalizadas e patrocinadas por organizações que confundem propaganda (no mau sentido) com jornalismo.
      Os blogs corporativos deveriam ser outra coisa, mas infelizmente o fato de estarem inseridos num novo ambiente não significa que estejam refletindo mudanças profundas naqueles que os produzem. Como sempre, a quantidade prevalecerá sobre a qualidade e será preciso separar o joio do trigo. Os blogs autênticos receberão o reconhecimento merecido e aqueles que vieram ou estão chegando apenas para explorar os novos recursos da rede permanecerão no anonimato. Ou levarão "mochiladas" na cabeça.
       A sociedade e, em particular os profissionais comprometidos com os valores do novo milênio (sustentabilidade, eqüidade, responsabilidade social, ética, profissionalismo, transparência etc), saberão identificar as vozes verdadeiras. O tempo e a vigilância continuam sendo o melhor remédio para a hipocrisia empresarial. Imagem construída sem raízes verdadeiras é como louça na mão de criança sapeca: acaba no chão aos pedaços.

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* Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor do programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e de Jornalismo da ECA/USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa.

 
 
 
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