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Responsabilidade Social

:: Empresas "meio cidadãs", a aberração de um conceito

Wilson da Costa Bueno*

      Depois que a responsabilidade social passou a ser considerada atributo importante, a ser perseguido pelas empresas modernas, o mercado brasileiro foi invadido por manifestações "espontâneas" de exercício da cidadania. Por um passe de mágica, todas as organizações estão jurando seu compromisso inadiável com a comunidade, o consumidor deixou de ser desrespeitado e todas as empresas, agora, são "as melhores para se trabalhar".
      Sobe o pano. O espetáculo de teatro (e de hipocrisia) em que se transformou o mundo empresarial em nosso país não pode continuar recebendo o aplauso ingênuo dos profissionais de comunicação. A não ser que eles também tenham sido picados pela mosca azul , aquela que costuma sugar o espírito crítico.
      Infelizmente, é isso que tem acontecido na maioria dos casos. Basta comparecer aos eventos da área , anotar os resultados de premiações em concursos de comunicação/marketing e acompanhar as manifestações da mídia para sentir que algo não anda direito.
      Não há outra alternativa: ou se está usando o conceito de responsabilidade social ou cidadania indevidamente, destacando o detalhe em detrimento do todo, ou ( o que é pior!) se trata de má fé mesmo.
      Uma empresa socialmente responsável, como nos tem ensinado os colegas do Instituto Ethos, deve cumprir uma série de obrigações e compromissos, que incluem uma relação saudável com os funcionários, a obediência irrestrita às leis do País, uma comunicação ética e transparente, a preservação do meio ambiente e, o que seria óbvio, a fabricação e distribuição de produtos com qualidade e (importantíssimo!) não lesivos à sociedade (a lista inclui outros itens).
      Fazer só alguma dessas coisas ou, o que é mais correto, não fazer todas essas coisas, ao mesmo tempo e durante todo o tempo, significa afrontar a cidadania e a responsabilidade social.
      Sob esta perspectiva, algumas empresas jamais poderiam aspirar a ser consideradas cidadãs porque o seu negócio é, por si mesmo, prejudicial à comunidade. Alguns produtos, como cigarro, bebidas alcóolicas, armas em geral e muitos outros, causam problemas sérios aos cidadãos e à sociedade . As empresas que os fabricam estão conscientes deste fato (a indústria tabagista escamoteou quando pode esta realidade e a indústria de bebidas alcóolicas resiste a qualquer restrição na venda ou propaganda) e, repetida e irresponsavelmente, empenham-se para seduzir os incautos consumidores.
      Se olharmos para as crianças e jovens mortos no Iraque, graças à fúria incontrolável do Governo Bush, mas também ao poderio devastador da indústria bélica americana; se consultarmos o índice alarmante de acidentes causados pelo álcool ou analisarmos as estatísticas de doenças devidas ao tabaco, não teremos dúvida de que nada limpa o pecado original destas empresas(ou Governos). Não adianta construir creches, patrocinar o esporte e a cultura, ou contribuir com o programa da Fome Zero, quando o próprio negócio está contaminado. A falta de ética, cidadania ou responsabilidade social , neste caso, está no próprio DNA destas organizações.
      Logo, contemplá-las com prêmios de responsabilidade social ou cases em nossos eventos significa jogar fora o conceito e dar as costas a uma dura realidade. Assim, como não existe meia virgindade, não existe meia cidadania. É necessário assumir o conceito em sua totalidade, se desejamos que ele tenha sentido.
      A empresa cidadã é íntegra todas as horas do dia. Pode-se até aceitar que a cidadania, no fundo, seja um tipo ideal, como definia Max Weber. Algo que se aspira , mas não se atinge jamais. Mas , convenhamos, as empresas que têm em seu DNA (no seu próprio processo de produção, nos produtos que fabrica e comercializa) um gene que leva à destruição dos cidadãos (da sua saúde, por exemplo), jamais poderia ser reconhecida como cidadã. Essa situação lembra um caso similar, a do político que "rouba, mas faz". Em nome da cidadania e do espírito crítico, devemos acabar com essa farsa.

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*Wilson da Costa Bueno é jornalista, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e do curso de Jornalismo da USP, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa.

 
 
 
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